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São Bonifácio aos 25 anos de Emancipação Política. Aspectos históricos, Econômicos, políticos, sociais, culturais e religiosos de sua gente.
Por Lucas Hoepers.

Os primeiros colonizadores de São Bonifácio se instalaram próximas as terras de Teresópolis, por volta de 1864. Como Teresópolis já estava ocupada, era necessário colonizar partes mais distantes e enquanto mulheres e crianças ficavam em uma barraca improvisada, os homens partiam com os filhos maiores a procura de um terreno apropriado, subindo a Serra do Cubatão e alojando-se nas proximidades das nascentes do Rio Capivarí.

As primeiras famílias que vieram da Westphália, Alemanha foram: Hoepers, Boing, Hemkemeir, Schmitz, Van der Linde, Schulter, Baumer, Buss e Doppelstein. Em uma leva posterior, poderemos citar: Degering, Warmeling, Exterkoetter, Schmetter, Pottmeier, Willemann, Blomer, Probst, Wigger, Assing, Tenfen, Schneider, Heidemann, Luchtenfels, Kromer, Locks, Bechauser, May, Schmoller, Wassing, Vandresen, Klauman, Rolhing, Roesner, Merten, Eller, Moll, Rocker, Blatt, Rodius, Hawerroth e Nack.

O nome de São Bonifácio, fora escolhido pelos imigrantes, primeiros colonizadores, por se tratar de santo padroeiro da Westphália e por coincidência, nascera uma criança no dia do padroeiro, 05 de junho, e a qual deram o nome de Bonifácio, porém esta criança veio a falecer e como não havia outra pessoa com o mesmo nome, ficou estabelecido que o nome do lugarejo, seria São Bonifácio do Capivarí.

Em 1918, foi elevado a categoria de distrito, com o nome de São Bonifácio do Capivarí. Em 23 de agosto de 1962, através da Lei estadual 840, conseguia sua emancipação política, com desmembradas do município de Palhoça e sal instalação aconteceu em 29 de dezembro do mesmo ano.

São Bonifácio está localizado ao longo das nascentes do Rio Capivarí, bacia do Rio Tubarão, sendo que as coordenadas da sede, estão em latitude de 27° 53’ 59” e longitude de 48° 55’ 39” e uma altitude de 480 m do nível do mar. Sua área compreende numa extensão de 477 km2 e pertence a região metropolitana da GrandeFlorianópolis, distante de 80 km da capital do Estado de Santa Catarina. Limita-se ao norte com os municípios de Águas Mornas e Santo Amaro da Imperatriz; ao sul com São Martinho; ao leste com Paulo Lopes e ao oeste com Anitápolis. A população com dados do censo de 1980, contava com 3.530 habitantes, sendo distribuídos em 938 habitantes na zona urbana e 2592 na zona rural, sendo 2250 eleitores.

Além da sede, há outras localidades assim denominadas: Santo Antônio, Santa Maria, Rio dos Canudos, Rio do Poncho e Rio Sete.

Na economia, a agropecuária é a principal fonte de renda no município, é desenvolvida em pequenas propriedades, os minifúndios. A exploração de produtos são muito diversificados, como o fumo, a cebola, a mandioca, o feijão, o milho, a batata inglesa, verduras, leite, queijo, carnes bovinas e suínas. Destes destacam-se o fumo, a cebola, o feijão entre os que trazem divisas para o município. O milho, além de haver significativa produção não é suficiente para atender as necessidades, o município é grande comprador do produto.

O município possuí aproximadamente 13 mil cabeças de gado bovino, porém a comercialização se dá a margem do fisco, sendo a venda real muito inferior aquela que surge nas estatísticas. A criação de suínos feita em poucos estabelecimentos tem alta produtividade, pois utilizam boas técnicas de criação e manejo.

A produção artesanal de queijos é muito grande. É produzido em quase todas as propriedades e com o lucro dele mantém-se as despesas da caso do colono.

A extração da madeira é feita em larga escala. Há diversas serrafitas que extraem a madeira nativa e as vendem sem beneficiamento. A produção de móveis e esquadrias é muito pequena em parâmetro da madeira explorada.

A exploração de carvão vegetal vem crescendo. Muitos agricultores, na falta de melhores opções, dedicam na sua produção ou na venda de lenha. Hoje estes produtos são uma fonte de renda para muitas famílias.

Na Educação, tem-se conhecimento que os pioneiros alemães, também foram os primeiros educadores em nosso município. Não tendo condições de fundar um prédio escolar, as primeiras aulas foram dadas em capelas e eram ministradas pelas pessoas mais cultas da sociedade e os mais versáteis no domínio da língua alemã. Entre eles destacamos: Henrich Moll, Bernard Rech e Gerhart Heinrich Hoepers. Este último nascido em Oeding, Westphália, em 13 de fevereiro de 1820 e casado com Ana Catarina Specking. Faleceu no ano de 1885 e enterrado no cemitério em São Martinho.

Em 1895, a comunidade fundou o primeiro prédio escolar, funcionando até o ano de 1918. Nela lecionaram diversos professores. A partir daquele ano, São Bonifácio teve sua escola oficializada, sendo como seu primeiro professor Francisco Serafim Guilherme Schaden.

Os trabalhos das Escolas Reunidas, foram assumidas pelas Irmãs Franciscanas de São José, a partir de 1954 e permaneceram até meados de 1959.

Em 25 de maio de 1965, passa de Grupo Escolar para Ginásio Normal São Tarcísio e em 11 de setembro de 1966 é inaugurado pelo então governador do Estado Ivo Silveira. A partir de 01 de janeiro de 1971, passa de Ginásio Normal, para Escola Básica São Tarcísio.

Em 17 de fevereiro de 1981 para a ser Colégio e pouco depois ganhou o nome de Colégio Estadual Vereador Ruy Evaldo Schauffler com habilitação básica em comércio. Mais tarde pelo Parecer 100/85 a habilitação do Colégio para a ser magistério. Pelo Decreto 1130/87 o Colégio passou a denominar-se novamente Colégio Estadual São Tarcísio, cujo órgão mantenedor é o Estado de Santa Catarina.

Em 25 de junho de 1969, a Comunidade Católica de São Bonifácio, doou um terreno de 3.225 m2 e um prédio medindo 60 de frente por 10 metros de fundo, incluíndo uma cozinha e lavanderia a Fundação Médico-Assistencial do Trabalhador Rural de São Bonifácio. No contrato de doação, ficaria a Comunidade Católica de São Bonifácio com o membro nato e a primeira diretoria foi formado por Zeno Hawerroth, Presidente; Blásius Francisco Lemhmkuhl, secretário; Ivo Kuhnen, tesoureiro. Para o conselho fiscal, foram designados: Pe. Deodato Koppmans, Lindolfo Roesner, Valentim Hawerroth, Adolfo Hawerroth, Vendolino Koch e Fernando Huberto Hoepers.

Na área de recursos humanos a Fundação mantém um médico com atendimento permanente, cinco atendentes de enfermagem, um escriturário, três copeiras e duas serventes. A Fundação possuí 25 leitos, incluindo dois apartamentos e subdivididos em dezoito leitos clínicos, 04 de obstetrícia, 02 cirúrgicos e 01 isolamento. Completam ainda o patrimônio, a Secretaria, Tesouraria, Sala de pequenas cirurgias, Posto de Enfermagem, Farmácia Interna, um Raio X, uma ambulância, gerador próprio e uma Casa Hospital, onde reside o médico.

Na política, após a emancipação do município de Palhoça. Assumiram com prefeitos; Zeno Hawerroth, prefeito provisório nomeado de 1962 a 1963. Primeiro prefeito eleito foi Evaldo Gustavo Kuhl, que governou de 1964 a 1969. Na Segunda legislatura, assumiu o governo Evaldo Stock, sendo o vice-prefeito, Ruy Evaldo Schauffler. Na terceira legislatura que foi do período de 1973 a 1976, governou novamente o Senhor Evaldo Gustavo Kuhl, sendo o vice, Evaldo Buchner. Na Quarta legislatura, o município foi governado por Evaldo Stock, sendo seu vice, Lindolfo Roesner. De 1983 a 1987, período da Quinta legislatura, assumiu o governo municipal o senhor Élio Schmitz, sendo seu vice, Nilo Westphal. A Câmara Municipal foi composto pelos seguintes vereadores: Primeira Legislatura; Helga Kratz Heizen, Harry Aldo, Guido May, Ruy Evaldo Schauffler, Evaldo Stock, Celso Leising, Afonso Scharf, Ervino Roesner e assumiu como primeiro suplente Carlos Probst. Na Segunda legislatura os veradores eleitos foram: Ivo Kuhnen, Elias Disrksen, Afonso Scharf, Evaldo Buchner, Eno Elias Schneider, Ilsa Koch Colombi, Abílio Roesner. Assumiu o primeiro suplente; Leopodo Gervin. Na terceira legislatura, assumiram a verança os seguintes edis: Elias Dirksen, Abílio Roesner, Ervino Gustavo Kuhl, Ruy Evaldo Schauffler, Artur Stock, Albino Stefen e Ivo Kuhnen. Assumiu como suplente Osvaldo Kuhl. Na Quarta legislatura foram eleitos os seguintes veradores: Elmar Kratz, Elias Dirksen, Herberto Stock, Nilo Westphal, Avelino Steffen, Ruy Evaldo Schauffler, Vicente Roth. Assumiu como suplente, Valdir Heizen. Nas comemorações das Bodas de Prata de emancipação política, foram eleitos os seguintes vereadores: Elmar Kratz, Anito Moester, Lucas Hoepers, Ademar Buchner, Huberto Buss, Valdir Heizen e Nildo Petersen.

O principal acesso à São Bonifácio é feita pela SC 431, faltando ainda 16 km para ser implantado. Nos transportes, diariamente a Comunidade é atendida pelas linhas de transportes coletivos: São Bonifácio à Florianópolis e São Bonifácio à Tubarão.

Nos serviços públicos, a Casan é a companhia responsável pelo abastecimento de água. A energia elétrica é fornecida pela Cooperativa de Eletrificação Rural de Armazém. Em termos de agências bancárias, a população tem a opção de ser atendidos pelo Banco do Estado de Santa Catarina – BESC e um Posto Avançado do Banco do Brasil. Ainda estão presentes os serviços de escritórios de INPS, Exatoria Estadual, Cartório de Registro Civil, Acaresc, Sindicato Rural e uma Cooperativa Agrícola. Em termos de comunicação a Comunidade é servida por Postos de telefonia. Na sede a extensão de telefones é mantido pela TELESC. Possui-se ainda, serviços de correios e jornais. Os sinais telesivos estão espalhados pelo município com captação através de repetidoras dos sinais das Redes Globo, Manchete, Bandeirantes e SBT.

O museu histórico Professor Francisco Serafin Guilherme Schaden, localizado na Casa do Colono de São Bonifácio, foi inaugurado em 21 de abril de 1980. Idealizado e fundado pelo Pe. Sebastião van Lieshout, foram doados pelo seu museu particular e organizado com as demais peças doados pela comunidade. O Museu visa guardar e preservar as relíquias e instrumentos usados pelos índios xokleng, bem como outros dados sobre o município de São Bonifácio, sua cultura e tradição.

O coral Santa Cecília, foi fundado em 01 de fevereiro de 1981, pelo seu maestro Luís Rohling. São composto por pessoas voluntárias da Comunidade, que regularmente aos sábados fazem o ensaio geral e por sua vez apresentam as cantorias na missas dominicais, eventos de enlace matrimonial e peças folclóricas.

Há ainda um grupo folclórico que tenta preservar a cultura e a memória das músicas e danças típicas alemãs, trazidos pelos antepassados que colonizaram o município.

Por ser uma cidade típica do interior, pouca opção de lazer se tem. Quem não recorda das tardes de Domingo em que o futebol era a maior atração. O campo localizado entre as ruas Clemente Lemhmkuhl e Avenida 29 de dezembro, eram realizadas grandes partidas de futebol. Torcidas organizadas, sendo seu maior incentivador na ocasião o Pe. Deodato, com os times de Damião Futebol Clube, formados pelos internatos do Seminário Padre Damião e o São Bonifácio Futebol Clube, organizado por integrantes de jogadores da comunidade. Por esta feição, o padre foi o maior incentivador e técnico deste esporte. Mais tarde a comunidade construiu um estádio mais moderno, denominando, Estádio Padre Deodato.

Além do esporte, podemos citar ainda outros eventos de lazer: Festa do Padroeiro, 05 de junho, Festa do Hospital, em outubro; Festas Juninas, onde a comunidade teve sempre as apresentações da tradição açoriana, com boi de mamão, trazido pelo professor Agostinho Pedro de Souza. Há inúmera cachoeiras para um banho natural e diversas grutas para o turismo religioso.

No município não há teatro, cinema, clubes, parques para serem freqüentados à noite. Os homens limitam-se em jogar dominó, cartas, truco e snok, ao passo que as mulheres se limitam com os afazeres domésticos.

A religião cristã trazidas pela tradição dos pioneiros, está enraizado na comunidade, divida entre católicos e protestantes. Entre eles não eram aceitos casamentos de membros entre credos distintos. Mesmo em enterros os de uma religião não entravam em templos dos outros. No cemitério, havia uma separação bem definida entre católicos e protestantes. O tempo se encarregou de suavizar as ásperas diferenças entre uns e outros.

A Igreja Católica forma uma comunidade, denominada Comunidade Católica de São Bonifácio que por sua vez pertence a Comarca de Santo Amaro da Imperatriz e pertence a Arquidiocese de Florianópolis. O primeiro sacerdote que ali trabalhou foi Pe. Guilherme Roer, nascido em 1821, em Warendorf, Alemanha, que chegou juntamente com os imigrantes em 1862. Em 1918, na condição de Coadjutor do Curato de Teresópolis, Pe. Francisco Giesberts, adquiriu em nome da Comunidade Católica de São Bonifácio um terreno para a construção de uma nova Igreja e a casa paroquial. Em 1922, assumiu o Pe. Augusto Schwirling, fixou ali a sua residência e permaneceu até 1945. No fim deste período a Comunidade recebeu o auxílio de Pe. Gregório Locks, da Paróquia de Anitápolis. A partir de 1945, os atendimentos passaram a ser feitos pelos padres da Vargem do Cedro, até a criação da Paróquia. Em 25 de novembro de 1950, os trabalhos pastorais foram entregues aos Padres dos Sagrados Corações, sendo seu primeiro pároco Pe. Deodato Koppmans e ali permaneceu até a sua morte em 24 de setembro de 1969. A Igreja Matriz foi oficialmente inaugurada em 19 de março de 1956. Em 1955, teve início a construção do Seminário da Congregação dos Padres dos Sagrados Corações e neste período, funcionou a preparação de jovens que abraçaram a vocação sacerdotal. A partir de 06 de junho de 1970, assumiu a Paróquia, Pe. Sebastião van Lieshout SS.CC.

A Igreja Evangélica de São Bonifácio é atendida pelo Pastor da Comunidade de Santa Isabel do município de Águas Mornas, enquanto as demais localidades, são atendidas pelo Pastor de Rio São João do município de São Martinho.

Bibliografia:

Matos, Enio de Oliveira. Arquidiocese de Florianópolis. Preservando sua História. 1996.
Informativo Especial. DC – Terça-feira, 29 de dezembro 1987 – pág. 15.
Schaden, Francisco S.G. Notas Sobre a localidade de São Bonifácio. Fplois 1940.

  Família Hoepers
Carlos Eduardo Hoepers
http://www.hoepers.com.br - Créditos